Andressa Bittencourt (andressabitten@opovo.com.br)
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| Profissionais liberais e empresas têm investido em cursos de coaching para, por meio do autoconhecimento, acelerar resultados. Foto: Divulgação |
A médica Domitilha Maria Coelho nunca havia ouvido falar do termo “coaching” (do inglês “coach”, treinador) antes de conversar com colegas que participaram de seminários sobre o assunto. Resolveu fazer um curso e se surpreendeu com os resultados. “As pessoas estão notando que eu estou diferente. O coaching me fez mudar a forma de pensar, a gente presta mais atenção nos relacionamentos com as pessoas”.
O coaching é um processo de autoconhecimento, desenvolvimento de objetivos e aceleração de resultados. Segundo Marcos Tito, sócio-diretor da MT Coaching, a ferramenta pode ser utilizada individualmente ou dentro das empresas. “Há um acordo entre o coach (especialista) e o coachee (cliente) sobre o que este quer realizar e construir a longo e médio prazo até o fim do processo”.
Autogestão, finanças pessoais, carreira e negócios são alguns dos aspectos trabalhados pelo coaching. O treinamento pode durar em média 6 meses, em um ciclo que varia entre 10 e 12 sessões, além de poder ser feito em seminários de 10h. O advogado Cláudio Albuquerque participou de um ciclo de coaching integral sistêmico durante um fim de semana e afirma ter valido a pena o investimento: “Descobri coisas sobre mim mesmo, meus potenciais. Aprendi a traçar objetivos e saí mais confiante”.
No Ceará, a procura pelo coaching tem aumentado, como explica Marcos Tito: “Fizemos parcerias com o Instituto Brasileiro de Coaching devido ao aquecimento do mercado. Aqui tem uma cena tem muito forte de pessoas interessadas em fazer cursos de coaching ou se tornarem coachs”.
Não é autoajuda
A presidente do Instituto de Inteligência Emocional do Brasil, Valéria Abreu, explica que o coaching não se confunde com a autoajuda, que é o processo de desenvolvimento pessoal a partir do exemplo do outro. “Não se trata tampouco de terapia.
O trabalho do coach é feito com metodologia científica, com base em princípios da neurociência, psicologia positiva e inteligência emocional. A pessoa é capacitada a perceber a sua personalidade e o seu comportamento, tendo poder real sobre si, a fim de alcançar resultados mais próximos ao que deseja”.
Segundo a master coach, devido à vinda tardia do coaching para o Norte e o Nordeste do País, houve uma abordagem diferente do processo no início de sua propagação. Enquanto no Sul e no Sudeste, o coaching se difundiu mais profundamente dentro das empresas, aqui houve uma “confusão de conceitos”, tendo sido a ferramenta utilizada de forma mais “emocional”.
“O coaching era mal visto aqui, pois muitos profissionais misturavam o processo com a autoajuda, de modo irresponsável. Dessa forma, os objetivos não eram alcançados e as pessoas chegavam a pensar que os profissionais do coach só queriam ganhar dinheiro”, diz.
Embora atualmente o cenário seja outro, Valéria mantém a ressalva de que o coaching deve ser feito com profissionais conceituados. “O coaching não faz milagres. É um trabalho sério de autoconhecimento a partir da autogestão”.
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| Mercado cearense tende a uma ampliação do coaching corporativo. Foto: Divulgação |
Empresas cearenses aumentam investimento
De acordo com Valéria Abreu, no mercado cearense há uma tendência à ampliação do coaching corporativo. “A proposta é intervir no ambiente de trabalho a partir de si mesmo. Os grandes grupos procuram usar a ferramenta como apoio no desenvolvimento de líderes”.
A empresa Lima Transportes realizou um programa de coaching para os gerentes e diretores. “Conseguimos lideranças mais envolvidas, com mais foco no trabalho, conhecendo suas limitações e definindo planos de atuação”, explica a gerente de RH Fabíola Cardoso Xavier. Com foco na gestão corporativa, a companhia pretende implantar programas de coaching individuais, a fim de desenvolver competências específicas dos empregados.
O grupo BSPAR está com processo de coaching em andamento, com a participação de cerca de 20 funcionários. “Percebemos a necessidade de desenvolvimento e potencialização de competências, para elevar a performance dos nossos líderes”, diz Verônica Ramos, gerente de Desenvolvimento de Talentos
do Grupo.
Ela afirma que a expectativa é de que, ao final do curso, habilidades de liderança, relações interpessoais e resultados práticos para a organização sejam alcançados.
Segundo Marcos Tito, nos encontros de coaching em grupo, são trabalhados aspectos e temas corporativos, fazendo com que as empresas se apoderem de ferramentas e apliquem-nas internamente, visando à alta performance no trabalho.(AB)
DICIONÁRIO
Autoajuda: Desenvolvimento do “eu” a partir do exemplo do “outro”.
Coaching: Desenvolvimento do “eu” a partir do olhar sobre si mesmo. Visa ao autoconhecimento, autogestão e alcance de metas.
Coach: É o profissional credenciado que conduz o processo de coaching, usando metodologia, conceitos e ferramentas.
Coachee: É a pessoa que utiliza o serviço do coach, o cliente que será conduzido do ponto A ao ponto B.
Fonte: Febracis e YBR Coaching
DICAS
O coaching demanda investimento. Cursos com 10 a 12 encontros custam entre R$ 2.000 e R$ 2.500. Mas quem se interessa pelo assunto e deseja conhecer mais sobre o processo pode optar por opções mais baratas.
1. Treinamentos menores, como seminários de 10h, custam em média R$ 1.000. São focados, geralmente, em liderança, gestão e autoconhecimento;
2. Comprar livros sobre coaching, aprofundando o conhecimento nas leituras;
3. Acessar vídeos gratuitos na internet. No Youtube, é possível assistir a sessões, palestras e explicações sobre o assunto.
NÚMEROS
12 encontros é a duração da maioria dos cursos de coaching
1 mil reais é o custo médio para treinamentos com 10 horas


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